quinta-feira, 7 de julho de 2011

PORTELA - UM SÍMBOLO DA CULTURA GUANABARENSE

GRES Portela


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela é uma das mais tradicionais e conhecidas escolas de samba da cidade brasileira do Rio de Janeiro. Foi fundada oficialmente como um bloco carnavalesco chamado Conjunto Oswaldo Cruz, em 1926[1], no bairro de Oswaldo Cruz. Com a criação do conceito de escola de samba, passou a integrar esta categoria, e com o tempo mudou-se de nome e de bairro, para o vizinho Madureira.[8]
No total, a Portela conquistou 21 títulos do carnaval, sendo até hoje detentora do maior número de campeonatos. No entanto, amarga mais de duas décadas sem título no carnaval carioca - o último deles foi conquistado em 1984.
Berço de grandes compositores do samba, como Monarco, Zé Keti, Casquinha, Manacéa, Candeia, Aldir Blanc, Paulinho da Viola, João Nogueira, Agepê, Noca da Portela, Colombo, Picolino, Luiz Ayrão, Chico Santana, Ary do Cavaco, Alcides Dias Lopes (carinhosamente conhecido como "Malandro Histórico"), Alvaiade, entre outros, e importantes instrumentistas como Jair do Cavaquinho, Jorge do Violão, a Portela tem uma participação importante na vida cultural da cidade durante todo o ano, através das apresentações de sua Velha Guarda e de sua premiada bateria, entre outras. Seu símbolo é uma águia que em todos os desfiles vem no abre alas da escola.

História
 

A história da Portela remete aos idos de 1921, quando Esther Maria Rodrigues (1896-1964) e seu marido Euzébio Rosas, então porta-bandeira e mestre-sala do cordão Estrela Solitária, de Madureira, mudaram-se daquele bairro para Osvaldo Cruz, onde fundaram o bloco Quem Fala de Nós Come Mosca.[9]
Uma dissidência desse bloco, comandada por Galdino Marcelino dos Santos, Paulo Benjamin de Oliveira (conhecido como Paulo da Portela), Antônio Rufino e Antônio da Silva Caetano, deu origem em 1922 a outro bloco, o Baianinhas de Osvaldo Cruz, que logo no ano seguinte adotou um estatuto e montou uma diretoria.[9], fato que faz com que a data de fundação da Portela seja muitas vezes remetida erroneamente a 1923. O bloco, no entanto, não durou muito tempo.
Em abril de 1923, reunidos numa casa, onde também funcionava o Bar do Nozinho, na Estrada do Portela, número 412, Rufino, Caetano e Paulo decidiram criar um outro bloco, que teve seu documento de fundação assinado em 11 de abril de 1926, nascendo assim o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz.[1], que teve Paulo da Portela como seu primeiro presidente.[1]
Em 1929 acontece o primeiro concurso de sambas conhecido. Organizado pelo pai-de-santo Zé Espinguela, este concurso contou com a participação de sambistas do Estácio, da Mangueira e de Oswaldo Cruz, tendo sido divulgado por Zé Espinguela na coluna que ele tinha no jornal Vanguarda, e sendo vencido pelo Conjunto de Oswaldo Cruz.[10]
Após esta vitória o bloco muda de nome para Quem nos Faz é o Capricho, por influência de Heitor dos Prazeres, que além de sugerir o nome, desenhou sua bandeira.[11].
Em 1931, quando as escolas de samba ainda estão sendo definidas, o grupo muda novamente de nome, desta vez para Vai como Pode (na verdade, "Vae Como Pode", na grafia da época), um nome sem dúvidas mais humilde em relação ao anterior. Tal mudança foi motivada por uma briga entre seus integrantes, quando em 1930, Heitor dos Prazeres teria se apropriado dos direitos autorais de Rufino, registrando em seu nome o samba "Vai mesmo", prática comum entre os sambistas da época, mas não tolerada em Oswaldo Cruz.[11] Após este evento, Heitor se afastou definitivamente da escola, indo para a agremiação De Mim Ninguém Se Lembra; Paulo também ficou um tempo afastado.
A nova bandeira da agremiação foi desenhada por Antônio Caetano, que passou a ocupar o cargo de presidente. Escolheu como cores o azul e o branco, que já eram associadas à agremiação desde 1929, e o modelo de bandeira, com faixas diagonais partindo de um círculo central, que mais tarde tornaria-se um padrão para a maioria das escolas de samba. Segundo Caetano, tal modelo seria inspirado na Bandeira do Sol Nascente, uma das bandeiras oficiais do Japão.[12]. Também na mesma ocasião foi escolhida a águia como símbolo da entidade, pois esta simbolizaria, para Caetano, o voo mais alto que os sambistas desejariam alçar.
Ainda em 1931, mesmo sem um concurso oficial, a agremiação apresentou-se com duas inovações em termos de escolas de samba, trazidas dos ranchos: o enredo "Sua majestade, o samba", e uma alegoria de uma figura humana integrada por instrumentos de percussão.[12].
Assim, a entidade disputou os concursos de Carnaval de 1932, 1933 e 1934, conquistando dois vice-campeonatos e um quarto lugar, tendo sido a denominação Vae Como Pode usada até 1935; nesse ano, dois dias antes do desfile das escolas de samba, no dia 1 de março de 1935, por ocasião da renovação da licença da escola na polícia, o delegado Dulcídio Gonçalves recusou-se a renová-la, por considerar o nome como chulo e indigno de uma escola de samba.[13] O mesmo delegado sugeriu no lugar a denominação atual "Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela", em referência ao logradouro Estrada do Portela, onde os sambistas se reuniam, bem como a um de seus componentes mais ilustres, Paulo da Portela. A mudança agradou bastante à comunidade, mesmo porque muitos já se referiam anteriormente ao grupo como "o pessoal da Portela". Nesse ano, a Portela foi pela primeira vez campeã de um desfile de escolas de samba.
Em 1939, a Portela foi novamente campeã com o enredo "Teste ao Samba", que é considerado por alguns como o primeiro samba-enredo [8] , muito embora os estudiosos majoritariamente entendam que que o primeiro samba-enredo na verdade tenha sido o da Unidos da Tijuca em 1933.[14]
Em 1941, após um desentendimento com o mestre-sala Manuel Bambambã, Paulo da Portela não desfilou. Paulo durante muito tempo brigou para que todos os componentes desfilassem devidamente fantasiados ou se não, vestidos com as cores da escola, porém no dia deste desfile ele voltava de uma apresentação em São Paulo, juntamente com Heitor dos Prazeres e Cartola, e estavam todos vestidos de preto e branco. Sem tempo de trocarem de roupa, combinaram assim de desfilar, os três, em cada uma de suas escolas de samba. Porém na vez de desfilarem pela Portela, Bambambã não permitiu que os outros dois, por não serem da escola e ainda não estarem devidamente vestidos, pudessem desfilar. [15]
Na verdade, Bambambã já tinha desentendimentos anteriores com Heitor, quando da passagem deste pela Portela, ocasião em Bambambã o havia esfaqueado. Na hora do ocorrido, poucos portelenses perceberam o que estava ocorrendo[15], porém, posteriormente ao desfile, muitos ficaram a favor de Bambambã, pois julgaram falta de coerência por parte de Paulo da Portela, que tanto havia brigado pelo respeito as cores da escola no desfile, querer desfilar daquela maneira.[16] Após isso, Paulo da Portela jamais desfilou novamente por sua escola do coração.
Porém, durante as tentativas dos Estados Unidos da América de construir uma "relação de boa-vizinhança" com os seus vizinhos da América do Sul, Paulo da Portela foi escolhido para ser o modelo da criação do personagem Zé Carioca, bem como para representar o samba no exterior. Por conta disso a Portela excursionou pelos Estados Unidos, e acabou sendo apresentada no evento pelo próprio Paulo da Portela.[17]
Nas décadas de 1940 e 1950, comandada pelo ilustre bicheiro Natal da Portela, que era amigo de Paulo da Portela, a escola conquistou inúmeros campeonatos, com destaque para o heptacampeonato consecutivo, entre 1941 e 1947. Durante o racha de 1947, quando da criação da FBES, a Portela preferiu manter-se na UGESB, com uma passagem de um ano pela UCES em 1950,e posterior retorno à UGESB no ano seguinte, até a fusão entre UGESB e UCES.
A sede da escola, no Bar do Nozinho, na Estrada do Portela, em Oswaldo Cruz, foi posteriormente transferida para outro endereço, no mesmo logradouro, posteriormente apelidado de "Portelinha". Devido ao tamanho considerado pequeno do local, as disputas internas de samba-enredo, durante a década de 1960, já não mais podiam ser realizadas em sua sede, sendo que para isso, a Portela passou a alugar o Imperial Esporte Club, em Madureira, numa localidade que à época era chamada de Magno, devido à Estação Magno. Pouco a pouco, a Portela passou a ser vista como uma escola pertencente à Madureira, até que em 1972, se instalou definitivamente no bairro, com a construção do "Portelão", sua nova sede, na Rua Arruda Câmara - posteriormente chamada de Rua Clara Nunes [18]
 
Portelão, sede da escola, em Madureira.
A partir dos anos 1980, a escola enfrentou muitos problemas internos, que se refletiram nos desfiles e em suas colocações. Culminando com a criação de uma dissidência, que originou a Tradição, desde então, a Portela nunca mais conseguiu sagrar-se campeã. Seu melhor momento foi em 1995 quando o enredo "Gosto que me enrosco" deu o vice-campeonato à escola.
 
Águia da GRES Portela em 1995
Em 2004 foi uma das quatro escolas que reeditou sambas antigos, por sugestão da Liesa, no caso, "Lendas e mistérios da Amazônia", samba-enredo que deu o título de campeã à escola em 1970. No mesmo ano, foi homenageada pela própria Tradição, que colocou no abre-alas o nome Portela e reeditou o samba-enredo portelense "Contos de Areia".
Em 2005, em seu pior momento, a escola ficou em 13º lugar. Devido a um atraso durante sua apresentação, seu presidente, Nilo Figueiredo, barrou a entrada da velha-guarda da escola nos momentos finais do desfile. Esse polêmica atitude do dirigente, que causou grandes constrangimentos no mundo do samba, foi tomada pois naquele ano a escola teve diversos problemas com alegorias, que fizeram com que seu desfile atrasasse. Caso a velha guarda entrasse no Sambódromo, na visão de seu presidente, a agremiação estouraria o tempo máximo de desfile e perderia pontos, podendo ser rebaixada. De fato, isto só não ocorreu pois naquele ano a Tradição, terminou em 14º lugar (último) e apenas uma escola seria rebaixada. A partir desse ano passou a ter em seu contingente a participação de uma ala com Portadores de Deficiências que no primeiro ano desfilou com 20 integrantes e em 2008 com 51 componentes, sendo chamada de Ala Nós Podemos.[8]
Em 2006, a Portela se recuperou, ficando em 7º lugar, e em 2007, com um enredo falando sobre os Jogos Pan-americanos de 2007 caiu um degrau: 8ª colocação. Em 2008 a escola confirma sua gradual recuperação, ficando em 4º lugar com um enredo exaltando a preservação da natureza, e voltando para os desfile das campeãs, fato que não ocorria desde 1998. Nesse ano, a Portela foi considerada a campeã pelo público numa enquete realizada no site do jornal O Globo.[19]
Para 2009, a águia de Madureira, escolheu o enredo E Por Falar em Amor… Onde Anda Você? de autoria dos carnavalescos Lane Santana e Jorge Caribé, tendo como tema o amor em suas mais variadas formas, tais como o amor entre dois namorados, o amor a uma causa, e à própria agremiação carnavalesca. Alguns críticos consideraram o enredo um tanto confuso, no entanto o samba foi considerado o que teve uma das mais belas estrofes do ano, que dizia, ao fim "são vinte e uma estrelas que brilham no seu olhar, se eu for falar da Portela não vou terminar". A águia, símbolo da escola, veio em dourado, num dos maiores carros abre-alas já mostrados na Sapucaí, trazida por uma comissão de frente representando o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda, além da volta de Luma de Oliveira a escola, dessa vez como rainha de bateria. Por fim a escola obteve a terceira colocação, com diferença de 1 décimo de ponto para a segunda colocada - a Beija-Flor de Nilópolis - e 1 ponto para a primeira colocada, Acadêmicos do Salgueiro.
Em 2010, a escola trouxe como enredo "Derrubando fronteiras, conquistando a liberdade… um Rio de paz em estado de graça!", dos carnavalescos Amauri Santos, desenhista industrial, e Alex Oliveira, ex rei momo. Os problemas, no entanto, começaram logo no ano anterior, com a escolha de samba enredo. Após sambistas tradicionais como Noca da Portela serem eliminados nas primeiras fases, a disputa final foi realizada na quadra da escola, em 17 de outubro, contando com a participação de cinco sambas. A segunda parceria a se apresentar, composta por Serginho Procópio , foi ovacionada pelo público presente e de longe apontada pela crítica como o melhor samba da noite, enquanto o quarto samba a se apresentar, composto pela parceria de Ciraninho, Rafael dos Santos, Diogo Nogueira, Naldo e Júnior Escafura, não empolgou.[20] Apesar do favoritismo, o samba de Procópio foi derrotado, o que fez com que o compositor criticasse bastante o resultado final.[21] O samba escolhido acabou sendo muito criticado por especialistas até o Carnaval, recebendo uma das menores notas de samba-enredo durante o Carnaval, tendo a Portela terminado na nona colocação.
Para 2011, a Portela contratou o carnavalesco Roberto Szaniecki, que junto com Amauri Santos, formaria a "gerência de carnaval". [22], mas devido a outros carnavais Amauri se desligou[23] e Szaniecki assinará o enredo, tendo como auxiliar o ex-carnavalesco da escola, Jorge Caribé.[23]
Em maio, Nilo Figueiredo, candidato único, foi reeleito para o terceiro mandato à frente da escola de samba. [24] recentemente, a Portela teve um incêndio de grandes proporções que atingiu o seu barracão que fica localizado na Cidade do Samba, além da Liesa e também os galpões da União da Ilha e Grande Rio. Desta forma, a escola desfilou na Sapucaí, mas não disputou o título. após o carnaval, simpatizantes da escola ficaram revoltados com os rumos da atual diretoria, sabendo disso o atual presidente retirou-se da área de carnaval, colocando seu filho (Nilinho) pra gerir o carnaval. além disso, colocou Marcos Falcon como homem forte da escola

Controvérsias históricas

Algumas fontes sugerem que na verdade o Quem Fala de Nós Come Mosca, fundado em 1923, e o Baianinhas de Oswaldo Cruz, fossem na verdade duas versões de uma mesma agremiação, sendo o Come Mosca uma agremiação infantil, comandado por Dona Esther, e o Baianinhas, uma agremiação formada por adultos, que desfilava com a mesma licença concedida ao bloco infantil.
Tais fontes indicariam o acontecimento de uma fusão entre os dois blocos ainda em 1923, originando o Conjunto Oswaldo Cruz. Tal versão, ainda que minoritária na historiografia do Carnaval, foi adotada pela Engenho da Rainha em sua sinopse divulgada para o Carnaval de 2011, onde homenageará a Portela.[8]
Ainda assim, o pesquisador Hiram Araújo defende ainda que a fundação da Portela teria se dado em 1923 e não em 1926, apesar do documento de fundação datado de 1926, reconhecido pela própria entidade.[25]

Bateria

Sua bateria é chamada de "A Tabajara do Samba", e tem como característica principal o toque do Surdo de Terceira inventado por Sula na década de 1940, e o toque das caixas com uma rufada peculiar. Foi uma das baterias mais pesadas do carnaval carioca e contava com um grande número de surdos de Primeira, Segunda e Terceira. Nos últimos anos, a escola mudou essa característica para se adaptar ao andamento mais rápido.
Foram mestres de bateria da Portela: Mestre Betinho da fundação até 1970, Oscar Bigode em 1971 e 1972, Mestre Cinco entre 1973 e 1977, Mestre Marçal entre 1978 e 1986, Mestre Timbó na década de 1990, Mestre Paulinho de Pilares, Mestre Mug, Mestre Catanha, Mestre Marçalzinho e, desde 2006, Mestre Nilo Sérgio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário